Vila cultural e criativa em Londrina (PR), fundada por Miguel Martins e Mona. Conecta artistas, criativos, marcas e empresas. É a ponte entre criativos e empresas, onde os criativos existem, comem, vivem e criam.
Antes do conceito, antes do manifesto, antes da galeria, essa era, simplesmente, a casa onde Miguel e Mona viviam. A Vila Devora nasceu de dentro desse endereço, não como um projeto implantado de fora.
A camada da casa, da convivência, do cotidiano antes de virar espaço público é o que sustenta tudo o que veio depois. A vila carrega essa memória de moradia embaixo da pele.
Fotos dessa época ainda não existem no acervo do site. Quando chegarem, entram aqui.
Devore ou seja devorado.
Toda cidade escolhe aquilo que alimenta.
Há cidades que alimentam o concreto. Há cidades que alimentam o trânsito.
Há cidades que alimentam o mercado. Há cidades que alimentam a repetição.
Nós escolhemos alimentar pessoas.
A Devora nasceu da observação de uma ausência. Uma ausência sentimental, familiar e social. De uma cidade cheia de criativos e vazia de encontros. Artistas produzindo sem se conhecer. Artesãos trabalhando sem rede. Designers, músicos, arquitetos, joalheiros, cozinheiros, escritores, fotógrafos, coletivos e criadores orbitando o mesmo território sem jamais compartilharem gravidade.
Não faltavam talentos.
Faltava ecossistema.
A vila tem corpo, e seu ventre é o criativo, pronto para dar à luz a sua voz.
Também há boca que, além de mastigar, debate, questiona e adapta a mente.
Sempre em movimento.
Sempre em mudança.
Sempre apta a se adaptar.
Devore ou seja devorado.
A nossa luta é transformar a forma como esta região consome, vê e reconhece aquilo que nasce na malha londrinense.
Por que a arte marginal não chega aqui?
Por que as suas peças não são vendidas na cidade?
Por que as galerias foram fechadas?
Por que não posso consumir a sua arte?
Por que não conheço as suas referências?
Por que a sua arte me parece estranha?
Por que não posso torná-la familiar?
Sempre devorando, digerindo e regurgitando o que habita ao seu redor, de maneira que se faça capaz de existir. De maneira que possa honrar aqueles que querem, aqueles que quiseram e aqueles que ainda vão querer.
A vila é avó, é mãe e também sou eu. Todos dispostos a devorar.
Devore ou seja devorado.
Tornar-se outro sem deixar de ser quem se é.
Devora é lugar.
Convocamos um território onde encontros produzem aquilo que nenhum indivíduo produziria sozinho.
Convocamos uma vila.
Convocamos uma rede.
Convocamos uma floresta.
Convocamos uma possível teia dentro da cidade existente.
Devore ou seja devorado.
Não porque o mundo exige. Mas porque toda transformação começa quando algo deixa de ser apenas aquilo que era.